quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Rosas de Ouro: Início das Eliminatórias


Fala Galera do samba que incendeia, dia 05/08/11, próxima sexta vai iniciar nossas eliminatórias!! Estamos com 15 sambas, e, em cada sexta se apresentará uma chave conforme o cronograma abaixo!! No final quando houver um número menor de samba formará uma única chave até que se descubra nosso samba para o carnaval 2012! Começou galera!!! Tudo de novo !!!!
Segue cronograma das Eliminatórias do Samba Enredo 2012 – “O Reino dos Justus”:

Local: Quadra da Rosas de Ouro
Horário: a partir das 21hs
Ingresso: R$ 10,00 (sem carteirinha)
Chaves:
Dia 05/08 os sambas que se apresentam são:
SAMBAS – 01, 03, 05, 08, 10, 11, 13
Dia 12/08 os sambas que se apresentam são:
SAMBAS – 02, 04, 06, 07, 09, 12, 14, 15

Cronograma Completo
Agosto: dias 05, 12, 19, 26
Setembro: dias 02, 09, 16
Semi-Final: dia 23

Por: Ismael Viera
Correspondente Oficial Rosas de Ouro
Final: dia 30



domingo, 31 de julho de 2011

Começaram as Eliminatórias da Tucuruvi.


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Ontem dia 30/07, tivemos uma noite mágica, onde começou a apresentação dos sambas concorrentes no Acadêmicos do Tucuruvi; a casa estava cheia e tivemos a apresentação de 12 sambas de muito nível, que serão interpretados por grandes Intérpretes do Samba de São Paulo e do Rio de Janeiro. Vamos ter muito trabalho para definir o melhor, pois são verdadeiras obras primas que estão sendo cantadas; alguns concorrentes começaram com toda força, distribuindo CDS, letras do samba, trajando indumentárias que lembram o tema do enredo e levando muito torcida, para contagiar toda a comunidade da Cantareira. Que vença o melhor!!!!

Vejam as fotos do evento:



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Reportagem: Marcelo Andrade da Silva
 Correspondente Oficial do Acadêmicos do Tucuruvi       

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Acadêmicos do Tucuruvi: Eliminatórias do Samba Enredo 2012





     Com o enredo “O esplendor da África no reinado da folia”, a escola de samba Acadêmicos do Tucuruvi dará início neste sábado, 30 de julho, à escolha do samba para o seu desfile em 2012. A apresentação dos 12 sambas inscritos está prevista para às 21 horas, na quadra que fica na avenida Mazzei, 722, Tucuruvi. O concurso será realizado todos os sábados até 24 de setembro, data da finalíssima. Ingresso: R$ 5,00.

Por: Marcelo Andrade da Silva
        Correspondente Oficial do Acadêmicos do Tucuruvi  

Novos Correspondentes Oficiais do Blog Samba que Incendeia

O Blog Samba que Incendeia tem o prazer de apresentar dois novos reforços para integrarem a nossa equipe de transmissão das informações das escolas de Samba do Rio de Janeiro e de São Paulo, no incentivo ao carnaval e de relatar o seu processo desde a sinopse até o grande dia dos respectivos desfiles. Por isso, criamos os Correspondentes Oficiais das escolas de samba que têm como função, trazer as novidades e eventos referentes a cada escola a fim de favorecer seus desenvolvimentos, fundamentados como uma espécie repórteres especiais, voluntários que relatem para os leitores do Blog os acontecimentos de suas respectivas escolas. Já integram este grupo, Ismael Vieira, pela Sociedade Rosas de Ouro e Marcelo Andrade das Silva, pelo Acadêmicos do Tucuruvi. E é com muita honra que apresento a vocês Luciene Luz e Fagner Soares, nossos novos Correspondentes Oficiais.

Olá meu nome é Luciene Luz, mais conhecida como Ninna; sou uma gaúcha de 31 anos, morando ha 17 anos no Rio, apaixonada pelo Carnaval e por minha escola de coração, o Acadêmicos do Salgueiro. Sou também uma das diretoras da Torcida Independente Nação Salgueirense, torcida oficial do Salgueiro. Vou estar aqui trazendo todas as novidades da minha amada escola para vocês, queridos amigos do Blog Samba que Incendeia.
Bem vindos ao mundo maravilhoso da vermelho e branco da Tijuca!
Luciene Luz






Amante da Mocidade Alegre que ama o carnaval e samba enredo por influência de sua família, ligada à querida escola Camisa Verde e Branco. Desde sempre, só pensa em desfile de escola de samba, da montagem até a apoteose. Loucura? Pra ele não, “e acha que isso não vai mudar tão cedo.”
Fagner Soares

terça-feira, 19 de julho de 2011

"Mulheres que Brilham"



     O Vai Vai já divulgou a sinopse do seu enredo para o carnaval de 2012. A escola levará para a avenida o enredo "Mulheres que Brilham - A Força Feminina no Progresso Social e Cultural do País" com a assinatura de Alexandre Louzada, o carnavalesco. Confiram a sinopse: 


Justificativa

O objetivo deste tema é mostrar que ao longo da história a mulher mudou a sua maneira de ser na sociedade, exercendo papel de protagonista e decisivo no desenvolvimento social e cultural de nosso país e de todo o mundo.

Mostraremos em nosso desfile que a mulher é a grande mãe de cada mudança e que ela esteve presente em cada etapa da nossa vida cotidiana.

A opção de contar esta trajetória em forma de poema, é um tributo que prestaremos a mulher, uma questão de razão e sensibilidade, um olhar pelos olhos dela, revelando que o Brasil não é só a terra da mulher que brilha, mas daquela que faz brilhar.


SINOPSE:
Trago o que há de bom nesta hora
Pro samba que vai raiar a aurora
O bom brilhar da luz da lua
Pra iluminar esta rua
E o mais forte cantar
Que hoje a Vai-Vai segue a trilhar
Dessa mulher que brilha e que nos faz brilhar

Vem de Deus, essa luz que irradia.
Da alvorada dos tempos
Do barro, o homem, a cria
A mais divina inspiração
É a porção mulher que trago em mim
Que aflora e se revela
Assim como se fosse a costela
Daquele que foi o primeiro Adão
É como a caixa de pandora
De mistérios e surpresas,
Aquela que guarda e protege
Que me elege e se abre agora
E sai do meu peito afora
No pulsar forte de um samba
Explodindo o meu coração
Vou percorrer na memória
Desde os tempos da pré-história
Quando fostes um troféu, a vitória
A base de um clã e de um lar
Brilhastes sempre, mulher de verdade
Na alegria e na adversidade
Firme, forte, aguerrida
Na dura vida, sua lida, cuidar
 
Fostes aqui também, a pioneira
Num Brasil ainda menino
A sedução da selva, o toque feminino
Da pele do sol tempero de amor
De Paraguaçu, índia faceira
Com cheiro de relva e de flor
A fazer assim a doce mistura
Da brava gente brasileira.
 
Por que amas, que tu brilhas
Seja na luta da igualdade
Ou nas trincheiras da liberdade
Seu brilhar faz romper barreiras
Pela paixão que não vê cor
E Chica, brilhou no Tijuco
Marias se tornam guerreiras
Pela pátria livre com amor.
Fostes um dia, a princesa prometida
Vinda de terras tão distantes
À desposar aqui, o jovem príncipe regente
E a se tornar alteza, esposa, mãe presente
Altiva, ante a outra, da paixão ardente
A zelar por ideais de uma nova nação
De um povo heroico, de brado retumbante
Por um sonho de um Brasil independente
Por ter coragem, que tu brilhas
E ergue-se a ti, Anita guerreira
O estandarte dos "Farrapos"
Assim como é de Dandara, Palmares, a Bandeira
Do grito de liberdade solto na garganta,
Que a mordaça de Anastácia não calou
E flutuou no ar, leve como pena
E nas mãos de Isabel, um dia pousou.
Fostes aquela, Chiquinha, a maestrina
Musa, música, mulher que brilha
O Abre-Alas que compõe nossa trilha,
Caminho que se abre, retrato que se revela.
E que na tela reparte coragem e arte que desafia
A expor a carne, a face de nossa terra: Antropofagia.
Na forma e cor de Tarsila, se externa.
E se faz moderna, definitiva, eterna.
Porque sonhas, que tu brilhas
Heroínas que inspiram, mulheres de papel
A criarem vida, nas palavras que esvaem vivas,
Das mãos de Ligia, de Zélia e Clarisse
E da Brilhante Raquel
E tantas outras que se fizeram eternas
De grandes homens, de alma fêmea, terna
Que tornaram reais, que fora personagem
Numa nova mulher que brilha com força e coragem
 
Porque cantas, que tu brilhas,
Como brilhante é o teu cantar,
Canto e encanto, trejeitos.
Num jeito próprio de olhar
De tantos requebros e maneiras,
É a pequena notável Luso-brasileira,
É o bamboleio, é ciranda, tai, é Carmem Miranda
Fazendo o mundo inteiro sambar.

São vozes que brilham que dizem da alma
E que com calma, falam ao coração
Fachos de luz, centelhas, que luzem estrelas
Eternas a se espalhar no céu e no chão
São "Dalvas" e Angelas, Claras, Maísas, Marias, Dolores e Gal
São Divas, sempre vivas, Elizetes, Alciones, Ivetes, Fátimas e Tal.
Regias vozes, vozes divinas
Como a voz de Elis Regina, voz enfim que não houve igual.

Fostes a mulher na luta
Armada de sonhos e ideais
Mulheres de força, mulheres reais
Mães da resistência, à desistirem jamais.
Mães dos escondidos, busca infinita
Mães de tantos, de santos, angelicais
Mães dos excluídos, dos desvalidos
Mulheres estrelas, guias, irmãs da paz
Porque vencestes, que tu brilhas
Sem perder a sua essência
Brilhas na vida e em nossa existência
Luz a doar a luz
Que se ilumina e se refrata
Como prisma de 1001 faces
Mulher que é de ouro, bronze e prata
Que nos encanta, arrebata

És e sempre serás
Esta mulher que brilha, que manda
Seu bom brilhar mundo afora
Como a musa do meu samba
Mulher amada companheira
Cara metade pela vida inteira
Eterna Rainha do Lar, de todos os lares
Pois hoje tu governas, a grande nação BRASILEIRA.
Carnavalesco - Alexandre Louzada

sábado, 16 de julho de 2011

Correspondente Oficial do Acadêmicos do Tucuruvi

O blog Samba que Incendeia continua fechando parceria com integrantes das agremiações para dar mais credibilidade e exclusividade das informações com os nossos Correspondentes Oficiais. Depois de fechar parceria com o Ismael Vieira pela Rosas de Ouro, agora também faz parte da nossa equipe Marcelo Andrade da Silva, o Marcelo Mauá, como é conhecido. Marcelo será nosso correspondente pelo Tucuruvi, contribuindo e informando para torna nosso blog, cada vez mais, dinâmico e interativo. Saiba mais sobre nosso amigo que se integra a família SQI:



Bom, sou conhecido no mundo do samba como Marcelo Mauá e faço parte da equipe de Harmonia do Acadêmicos do Tucuruvi desde 2008; sou diretor de relações públicas da AMESPBEESP (associação de mestres sala, porta bandeiras e estandartes do estado de São Paulo). Desde 2009, dou palestras sobre Harmonia, Evolução e Gestão de Agremiações (últimas palestras: Batatais e Diadema); trabalho como cinegrafista de casais para um Personal Dança, Ednei Mariano que trabalhou com os Casais do Vila Maria, Peruche, Gaviões, São Lucas e Tatuapé neste carnaval de 2011; sou o 1º Mestre Sala da Escola de Samba Amizade Zona Leste entre outras várias coisas que ainda faço no Carnaval de Jundiaí e Santos.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

"A vida como ela é, bonitinha mas ordinária... Assim falou Nelson Rodrigues.

A Unidos do Viradouro, vice-campeã do carnaval de 2011, entregou nesta quinta-feira (14/07) a sinopse do enredo para carnaval de 2012: "A vida como ela é, bonitinha mas ordinária... Assim falou Nelson Rodrigues". A escola que, tenta retornar ao grupo especial mergulhando na história de Nelson, deixou a comunidade muito satisfeita com o enredo. Sua obra literária, teatral e jornlística, rica e com muitas possibilidades plásticas, reforçadas com a criatividade de Alexandre Louzada, o carnavalesco, garantirá um espetáculo diferenciado do que a Unidos da Tijuca apresentou em 20001, afinal, o enredo pode até já ter sido retratado, mas sob um novo olhar, sob o olhar do buraco da fechadura. Confiram a sinopse:

Justificativa

Adentrar o universo de Nelson Rodrigues parece tarefa das mais improváveis, porém através de nosso desfile, faremos esta tentativa. Falar de sua vida, de sua obra é lançar um olhar sobre nós mesmos, despidos de todo o senso de pudor.
O certo é ver que apesar de tantos julgamentos a respeito de seu legado, Nelson Rodrigues acompanhou com reflexões profundas a vida do país que ele via a sua frente, como testemunha e ator de eventos cruciais de nossa história recente.
Através de suas frases memoráveis, somamos as suas experiências da vida e seu pensamento a respeito dela. A vida como ela é, reflete este caleidoscópio, multiface de suas opiniões que variam entre o cáustico e o irônico, passando pelo cinismo velado, sobre os tipos cariocas, seu cotidiano e as relações familiares, além da política e claro, a sua paixão, o futebol.
A Viradouro ao apresentar Nelson Rodrigues como tema, ousa retratar de certa forma o pensamento desse grande gênio de nossa literatura e dramaturgia, usando como álibi uma de suas frases: Toda unanimidade é burra!

Nelson,
Sou eu o samba, que te pede passagem, sou a Viradouro a fazer a viagem em seu universo irreverente, aos subúrbios da sua inspiração. Pela lente de seu olhar, serei a realidade inventada, infielmente retratada da vida como ela é, a sua, cruel e crua a girar no carrossel da emoção.
Eis-me aqui qual anjo pornográfico, a desfilar na rua, num delírio de carnaval, a te invadir a alma, te espiar a mente, perverso, eloquente, assim, como quem trai ou mente, não ver a mulher nua, pelo buraco da fechadura. Serei a flor de obsessão que desabrocha, fruta madura regada de drama e humor.
Vou me tornar todas as mulheres, rasgadas das páginas de Suzana Flag, escravas do amor, destinadas a pecar e a amar demais algum homem proibido. Caberá em mim o que é descabido, assassinos passionais, suicidas enlouquecidos.
Viverei aquelas gordas fofoqueiras, viúvas tristes ou solteiras ressentidas, e nelas encarnarei aqui, o flerte, o adultério, o romance fugaz e o eterno amor. Serei a feia, a interessante, a esposa, a amante, engraçadinha, a bonitinha, a dama do lotação ou então quem sabe, Nelson, aquela que morde, a que arranha e aquela que apanha, pura, casta e sem pudor.
Lembrarei de momentos mágicos, do Mário Filho abarrotado, dos domingos ensolarados, de futebol e picolé, serei o Sobrenatural de Almeida, o inexplicável, o oculto que habita a sombra das chuteiras imortais, me tornarei seu craque predileto, sem caráter. Posso ser também Didi, Garrincha e Pelé.
Estarei na torcida que agita, a xingar o juiz ladrão que errado apita, e na bola que se ajeita pro gol daqueles Fla-Flus ancestrais. Entrarei na discussão dos bares com a cabeça cheia, falando dos lances, dos romances da vida alheia e da sua grande paixão, e se preciso for, virarei a casaca, me farei de pó-de-arroz de corpo e alma, e pra te fazer graça, tricolor de coração.
Abrirei as cortinas do seu teatro, sem o embargo da censura, e exporei a arte, a vida, a realidade pura, a lâmina afiada a rasgar a carne da plateia num desafio, e arrancar-lhes o aplauso, ou o asco, ou o arrepio, e até mesmo o silencio da incompreensão. Serei o seu grito na boca de cena, a fala cotidiana da verdade plena, aberta para a consagração.
E morrerei todas as noites, eventualmente duas, aos sábados e domingos em todas as vesperais, na pele de seus personagens, vestirei pra sempre as suas fantasias que bem poderiam ser reais. De vestido de noiva ou em toda a nudez, serei castigado como a serpente, no juízo crítico, inclemente, com ou sem pecado, perdoado e sem perdão, sob as luzes da ribalta, no palco da sua mais incrível imaginação, senhor Rodrigues.
Por fim, iluminarei a grande tela e vou estrelar sua obra, projetando o filme que passou na sua mente, e revelar na Viradouro que seu espírito paira no viver real de nossa gente. Hoje, você é o anjo que nos cuida, anjo escritor, teatrólogo e jornalista, anjo desconhecido, indecifrável; anjo de todos os sentidos, dos escancarados e dos escondidos, de nossa burra, porém verdadeira unanimidade. Obcecado anjo chamado Nelson Rodrigues, que em frases nos define a vida como ela é, bonitinha mas ordinária.

Nelson por Nelson

"Nasci a 23 de agosto de 1912, no Recife, Pernambuco. Vejam vocês: eu nascia na rua Dr. João Ramos (Capunga) e, ao mesmo tempo, Mata-Hari ateava paixões e suicídios nas esquinas e botecos de Paris. Era a espiã de um seio só e não sabia que ia ser fuzilada. Que fazia ela, e que fazia o marechal Joffre, então apenas general, enquanto eu nascia? A belle époque já trazia no ventre a primeira batalha do Marne. Mas por que "espiã de um seio só?" Não ponho minha mão no fogo por uma mutilação que talvez seja uma doce, uma compassiva fantasia. Seja como for, o seio solitário é, a um só tempo, absurdamente triste e altamente promocional.
Mas a belle époque não é a defunta que, de momento, me interessa. Tenho mortos e vivos mais urgentes. Por outro lado, minhas lembranças não terão nenhuma ordem cronológica. Hoje posso falar do kaiser, amanhã do Otto Lara Resende, depois de amanhã do czar, domingo do Roberto Campos. E por que não do Schmidt? Como não falar de Augusto Frederico Schmidt? Seu nome ainda tem a atualidade, a tensão, a magia da presença física. Todavia, deixemos o Schmidt para depois. O que eu quero dizer é que estas são memórias do passado, do presente, do futuro e de várias alucinações". (p.11)
"Toda a minha primeira infância tem gosto de caju e de pitanga. Caju de praia e pitanga brava. Hoje, tenho 54 anos bem sofridos e bem suados (confesso minha idade com um cordial descaro, porque, ao contrário do Tristão de Athayde, não odeio a velhice). Mas como ia dizendo: - ainda hoje, quando provo uma pitanga ou um caju contemporâneo, sou raptado por um desses movimentos proustianos, por um desses processos regressivos e fatais". (p.15)
"1913. O que a memória consciente preservou de Olinda foi um mínimo de vida e de gente. Eu me lembro de pouquíssimas pessoas. Por exemplo: - vejo uma imagem feminina. Mas é mais um chapéu do que uma mulher. Em 1913, mesmo meu pai e minha mãe pareciam não ter nada a ver com a vida real. Vagavam, diáfanos, por entre as mesas e cadeiras. Depois, eu os vejo parados, com uma pose meio espectral de retrato antigo. Mas nem meu pai, nem minha mãe falavam. Eu não os ouvia. O que me espanta é que essa primeira infância não tem palavras. Não me lembro de uma única voz. Não guardei um bom-dia, um gemido, um grito. Não há um canto de galo no meu primeiro e segundo ano de vida. O próprio mar era silêncio". p.15-6)
"Já falei da louca, filha da lavadeira. Foi a primeira mulher nua que vi na minha infância. E, ainda agora, ao bater estas notas, tenho a cena diante de mim. Eu me vejo, pequenino e cabeçudo como um anão de Velásquez. Empurro a porta e olho. O espantoso é que sinto uma relação direta e atual entre mim e o fato, como se a memória não fosse a intermediária. A demente tem a tensão e o cheiro da presença viva. Mas como ia dizendo: - no fundo, encostada à parede, está a nudez acuada". (p.39)
"No primeiro momento, a glória é casta. Desde garotinho, a minha vida fora a desesperada busca da mulher primeira, única e última. No período da fome, o amor passara a um plano secundário ou nulo. Mas a glória é ainda mais obsessiva, mais devoradora do que a fome. Eis o que eu queria dizer: _ com o artigo de Manuel Bandeira, só eu existia para mim mesmo. Tudo o mais era paisagem." (...)
"Sim, ainda me lembro do primeiro dia do artigo de Manuel Bandeira. Depois do trabalho, fui para casa. Tranquei-me no quarto como se fosse praticar um ato solitário e obsceno. Comecei a reler o poeta. Primeiro, repassei todo o artigo, da primeira à última linha. Depois, reli certos trechos. O final dizia assim: - "Vestido de noiva, em outro país, consagraria um autor. No Brasil, consagrará o público". Antes de mais nada, o poeta influiu na minha auto-estima". (p.162)
"Uma meia dúzia aceitou Álbum de família. A maioria gritou. Uns acharam "incesto demais", como se pudesse haver "incesto de menos". De mais a mais, era uma tragédia "sem linguagem nobre". Em suma: - a quase unanimidade achou a peça de uma obsessiva, monótona obscenidade. Augusto Frederico Schmidt falou na minha "insistência na torpeza". O dr. Alceu deu toda razão à polícia, que interditaria a peça; meu texto parecia-lhe da "pior subliteratura.
Assim comecei a destruir os meus admiradores. Foi uma carnificina literária. Mas não me degradei, eis a verdade, não me degradei". (p.215)
"O número de ex-admiradores aumentava. E, pouco a pouco, ia fundando a minha solidão. Fora proibida a representação de Álbum de família. Em seguida, houve a interdição de Anjo negro. De peça para peça, me tornava, e cada vez mais, um caso de polícia. Escândalo nos jornais. E, um dia, encontro-me com Carlos Lacerda. Pediu o meu novo texto: - "Você me dá, que eu escrevo contra a censura". Ótimo. No dia seguinte, fui levar-lhe uma cópia." (...)
"Desde aquela época, cada um, na vida literária, tinha que ser um engajado. Ninguém ia à rua sem a sua pose ideológica. Lembro-me de Isaac Paschoal me perguntando, depois de um discurso de Prestes: - "E você? Qual é a sua contribuição?". Baixei a vista, rubro de vergonha. E, como ainda não contribuíra, senti-me um fracassado nato e hereditário. Daí porque não posso ver, hoje em dia, o Guimarães Rosa, sem uma sensação de deslumbramento. Durante anos, pratiquei a solidão com certo pânico e certa vergonha. E eis que vem o autor de Sagarana e ergue a sua torre de marfim, assim como um cigano põe a sua barraca. Nada existe: - só a sua obra. Estão brigando no Vietnã? Pois o nosso Rosa escreve. Há a guerra nuclear, o fim do mundo? Guimarães Rosa funda outro idioma. A torre de marfim fez dele o maior artista brasileiro do século". (p.218)
(Excertos de A menina sem estrela - Memórias, de Nelson Rodrigues; São Paulo: Companhia das Letras, 1999, Coleção das Obras de Nelson Rodrigues, sob a coordenação de Ruy Castro).